OS PRIMEIROS

1º Turma Adm. da ESNS - Escola Superior Nacional de Seguros - SP

E agora?

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zeliafotosazul2Num pais extremamente dividido, em que a Presidente se elegeu com 51,64% e Aécio teve 48,36% dos votos, temos muito mais incógnitas do que respostas. Em geral, quando se elege um Presidente, elegemos um conjunto de propostas que achamos será melhor para o país, elegemos alguém que julgamos estar mais capacitado a lidar com os problemas do país. Não é o caso de desta eleição e apesar de podermos trabalhar com cenários não se pode afirmar com certeza o que será do país nos próximos quatro anos.

Quem ouviu os debates e a propaganda no último mês viu dois Brasis completamente diferentes; no Brasil de Dilma e do PT não há nenhum problema, tudo vai bem. A única coisa que não vai bem é a economia mundial e a crise financeira de sete anos atrás ainda é a culpada dos males do Brasil. Poderíamos inferir que uma vez que a economia mundial se recupere todos os problemas do Brasil vão desaparecer. Portanto, nenhuma ação é necessária, vamos esperar que a economia mundial melhore e aí, por tabela, melhoramos também.

O Brasil de Aécio e do PSDB, é um Brasil com um nível de inflação que preocupa, em que o nível de confiança é baixo, que apresenta crescimento pífio e problemas fiscais crescentes. O Brasil de Aécio é um Brasil em que problemas têm que ser enfrentados e corrigidos. As soluções podem ser difíceis e não vi Aécio prometer milagres, mas por meio de politicas econômicas consistentes pode haver luz no fim do túnel. O Brasil de Aécio é um Brasil onde se procuraria voltar ao famoso tripé, inflação, politica fiscal e cambial. A inflação seria controlada e controlável, não por via de controle de preços, como agora, o cambio seria flexível, e não controlado pelo Banco Central e voltaríamos a ter disciplina fiscal.

No Brasil de Dilma – vencedor – a inflação não é problema, assim como não há problema fiscal nem cambial.

Dilma repetiu inúmeras vezes o mantra preferido do PT: durante o governo do PT o salário mínimo alcançou o maior nível de todos os tempos, milhões de pessoas saíram da pobreza e ascenderam à classe média, e o Brasil registrou o menor nível de desemprego da historia.

Quem ouviu o debate, viu também que Dilma não esconde e fala abertamente do projeto e da visão do PT e dela mesmo: por exemplo, ao falar dos bancos públicos Dilma disse que o PSDB reduziu os bancos ao tamanho que achavam que deveria ter, diferentemente do PT. É verdade; verdade que mostra duas visões completamente diferentes do papel dos bancos públicos e do Estado. Com a vitória de Dilma consagraremos 16 anos de PT a e a montagem de um aparelho de Estado enorme e disfuncional.

Já sabemos que o Brasil está dividido, entre Norte / Nordeste e Sul / Centro Oeste (com algumas exceções), entre beneficiados e não beneficiados, entre mais ricos e mais pobres. No fim desta newsletter há uma tabela com o total de votos que cada candidato recebeu em cada um dos estados ordenada de acordo com a renda per capita do Estado. Sem nenhuma surpresa, fora o Rio de Janeiro e Minas Gerais, Aécio ganhou nos estados mais ricos e Dilma nos mais pobres. Nos dois estados mais pobres do país, Maranhão e Piauí, Dilma teve quase 80% dos votos!

O que não sabemos é o que nos espera nos próximos anos. No seu discurso após a vitória Dilma falou em união nacional e conciliação. Mas união em torno do que exatamente? Como conciliar dois projetos e visões tão diferentes da economia e do Estado? Como conciliar uma visão que prioriza o intervencionismo com uma visão que prioriza o Mercado?

Com a vitória de Dilma não se sabe se vamos ter mais da mesma coisa – sendo esta a hipótese mais provável – e ou se ela vai nos surpreender com uma mudança radical de postura e de equipe. Se um sinal não for dado rapidamente é possível que vejamos um estouro do dólar e da inflação em período muito curto. Segunda feira dia 27 de Outubro poderá mostrar uma queda expressiva na bolsa brasileira e vamos passar a ter nosso próprio Black Monday.

Outubro não foi um mês estressante só para o Brasil. O mercado acionário americano registrou enorme volatilidade: segunda feira, 29 de setembro o Dow Jones estava em 17.071 pontos. Em 16 de Outubro chegou a 16.117, uma queda de quase 6%%. No dia 24 havia voltado a 16.805 pontos, recuperando um pouco mais de 4%. Contribuíram para isto a queda de preços do petróleo e consequentemente medo de deflação, as noticias de desaquecimento na Alemanha e Europa e o medo do Ebola ao mesmo tempo em que persistiam as tensões decorrentes do ISIS e das sanções contra a Rússia. Nos EUA estamos a pouco mais de uma semana das eleições para o Congresso e há uma grande possibilidade (mais de 60%) de que os democratas percam a maioria no senado. Não sou analista político, mas acredito que se dá maior importância a este fato do que realmente merece. O Congresso Americano não fez nada positivo nos seis anos da administração de Obama: não passou nenhuma lei que ajudasse de alguma maneira a economia, muito pelo contrário. Na hipótese de um Congresso dominado pelos Republicanos é possível que eles tentem voltar a temas em que foram derrotados nos últimos anos, como por exemplo, a reforma da saúde. Mas o presidente sempre tem o recurso do veto. Por outro lado, na remota possibilidade de que republicanos queiram passar alguma lei que seja boa para o país e para a economia... sejam benvindos.

A economia Americana continua a apresentar bons indicadores econômicos e as empresas também. Estamos mais uma vez na temporada de anúncio de resultados e até agora 70% das empresas tem superado as expectativas e apresentado resultados melhores do que o esperado. Isto posto, e descartada uma epidemia de medo provocada pelo terror seja do ebola, seja do ISIS, a bolsa Americana deverá ter o tradicional rally de fim do ano. Quanto ao Brasil, vamos apertar os cintos e nos preparar para turbulências.

Estado

Renda percapita

Vencedor

São Paulo

1.036,51

Aécio

Rio de Janeiro

   993,21

Dilma

Santa Catarina

   967,45

Aécio

Rio Grande do Sul

940,28

Aécio

Paraná

870,59

Aécio

Espirito Santo

795,33

Aécio

Goiás

785,17

Aécio

Mato Grosso do Sul

784,97

Aécio

Mato Grosso

735,32

Aécio

Minas Gerais

733,24

Dilma

Rondônia

646,78

Aécio

Roraima

578,38

Aécio

Amapá

575,42

Dilma

Tocantins

571,51

Dilma

Rio Grande do Norte

531,56

Dilma

Pernambuco

508,82

Dilma

Amazonas

508,28

Dilma

Sergipe

508,20

Dilma

Acre

497,44

Dilma

Bahia

481,18

Dilma

Paraíba

462,29

Dilma

Ceará

445,88

Dilma

Pará

429,57

Dilma

Alagoas

421,32

Dilma

Piauí

408,27

Dilma

Maranhão

348,72

Dilma


Fonte: zeliacardosodemello.org em 27/10/2014

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